Sem Título

Não estou no recinto apropriado. Mas não posso mais segurar. Me deixem desabafar este erro! Não existe ato mais saudável e fraternal do que o pum. Peido, para os íntimos. Flatulências, para os caretas.

Peidar a sós é o melhor diagnóstico. Pela força, pelo timbre, odor, ritmo, podemos saber a quantas anda nossa saúde, não só anal mas também intestinal, bucal, estomacal e – por que não? – psicológica. Afinal, aquele que permite sujeitar seus sentidos ao peido próprio, decerto, é uma pessoa tranqüila, que cumpre suas obrigações para com a sociedade, mas não esquece nem reprime suas necessidades vitais.

Os reprimidos, se não recalcassem tanto o próprio gás, diriam que o “pum” é um ato subversivo por dois motivos. 1º) porque indica um retorno à vida primitiva, animal, onde cada qual peida quando lhe dá na telha, sem respeitar nenhuma Constituição Federal. 2º) porque, perante o pum alheio, ninguém fica ileso; ou seja, a liberdade do outro fere o meu direito de ser respeitado.

Os reprimidos têm sua razão, fundamentados em cientistas sérios como Freud, cuja teoria marca a socialização do indivíduo a partir do controle anal. Em outras palavras, a criança vira gente quando passa a ter certo controle sobre o xixi e o cocô, sua primeira produção industrial. O pirralho, que antes não passava de um ser biológico, agora é um ser social. Na adolescência, segundo o Pai da Psicanálise, existe um retorno à fase anal. Então, o jovem brinca de passar a mão nos colegas, peida em público, não porque seja gay ou animal, mas por ser um ato de contracultura, que descontrai a rígida ordem social.

Peidar em público pode até ser um ato libertário ou subversivo durante a adolescência, mas durante a maturidade é mais um ato de fraternidade do que de rebeldia. Tô cagando pros hipócritas! Peidar em família ou entre amigos, além de saudável, garante uma ordem social mais justa e autêntica. “Não peidarás” não está na Bíblia, mas, de fato, peidar em público entre estranhos é contra-etiqueta. Porém, peidar na tribo é um ato de humildade, já que nos coloca de igual pra igual. Quem peida é gente como a gente.

Se você, meu amigo, fica à vontade pra peidar perante a minha presença, não fico ofendido. Fico feliz pela prova de sinceridade, cumplicidade e amizade. O seu peido, por mais terrível ou bizarro que seja, me dá o direito de peidar também. E, juntos, celebramos nossa irmandade: somos irmãos pois ambos temos um canal que nos permite revelar nossa verdade interior. Como nós, Buda também sorriu quando encontrou a Verdade.

Um vento, por mais fétido que seja, é passageiro e não mata ninguém. O que mata é a inveja que a Patricinha tem do filho-da-puta que teve a ousadia de peidar com tremenda impunidade.

Casos verídicos que aconteceram de verdade na vida de raposa

Bem, eu me lembro na quarta série, tinha um dos meus melhores amigos, chamado Hugo. Conheci ele no mesmo ano e já ficamos amigões e tal. No ano seguinte ao que nós nos conheçemos, ele ganhou um cachorro, e eu não sabia da existência de tal ser;

Estávamos eu e ele jogando video game 00:00, quando eu olho pra porta e vejo uma coisa grande do tamanho de uma ratazana preta correndo. Não pensei duas vezes, corri e chutei. Mas não foi chutinho não, era pra matar.

Moral da história: O cachorro nunca mais entrou no quarto do Hugo de noite.

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2 pensamentos sobre “Sem Título

  1. ok…a cronica fikou legal embora o assunto nao seja algo comum para tal…

    mas kuanto ao caso de infancia…melldeuz…cara vc é moito mal!!!! =P

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