peraí, mas e os peitinhos?

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Existem certos filmes de terror, ou pelo menos seus personagens, que todo mundo conhece. Você pode nunca ter ouvido falar de A Hora do Pesadelo, mas com certeza conhece o simpático Freddy Krueger. Talvez você não saiba que Jason é o cara de Sexta Feira 13, mas aposto que você já imagina o maluco com a máscara de hockey só de ouvir tal nome. Halloween é outro clássico que muita gente pode não saber do que exatamente se trata, mas sabe da sua reputação no meio do terror. Vai saber de onde vem esse conhecimento – tem coisas que a gente simplesmente sabe. E é sobre o último citado que eu vou falar nesse post, mas não o de 1978 e sim seu remake, dirigido por Rob Zombie.

“Todo bom ser humano gosta de um slasher cheio de sangue e peitinhos”, já dizia minha avó. Mas por que escolher falar sobre Halloween nesse post, em meio a tantos outros clássicos e seus remakes? Se não estivéssemos no Brasil, realmente eu não teria motivo nenhum para fazê-lo, afinal o filme é de 2007 e eu já o teria esquecido há muito tempo. Mas, por algum motivo tão obscuro quanto o próprio Michael Myers, o filme chegou em terras tupiniquins 2 anos atrasado, dando as caras nos cinemas só nessas férias de julho. Isso é um dos motivos que me fazem estar escrevendo sobre ele. Outro motivo é que eu fiquei bastante decepcionado com o que eu vi.

O filme, ao contrário do original, começa mostrando a infância de Myers numa tentativa de justificar todas as mortes que aconteceriam no decorrer do filme. Sabe aquele clichê de pai bêbado, mãe stripper? Pois é. Junte isso aos tradicionais bullies no colégio e pronto, aparentemente temos um psicopata. No original, Myers mata sua família por ser pura e simplesmente mal. No remake, vemos Myers matar sua família porque sua irmã preferiu dar pro namorado do que ir pedir doces com ele no halloween. Peraí, eu disse “vemos matar”? Hahah, corrigindo: não vemos Myers matar sua família. Diferentemente do filme de John Carpenter, que é sutil e limpo comparado aos outros do gênero, muita gente morre no remake e há muito sangue na tela, mas se 5 pessoas aparecem realmente sendo assassinadas é muito – na maioria das vezes elas simplesmente já estão mortas ou a cena acaba antes do ato acontecer de fato. Mas não é aquele corte suave feito durante a edição do filme por alguém qualificado pra isso, é aquele corte brusco feito com uma tesoura sem ponta direto no filme e colado com durex. Por um macaco. Usando os pés. E, assim, não perdemos só as mortes mas também cenas importantes para o desenvolvimento da história, que fica cheia de buracos e não faz sentido algum.

Talvez a culpa dessa decepção seja minha, afinal ninguém em sã consciencia botaria fé em um slasher com classificação de 14 anos. Mas peraí, por que 14 anos? Ao ter o filme classificado por seja lá qual orgão responsável por isso como “não recomendável para menores de 18 anos”, a distribuidora brasileira Playarte, talvez por acreditar que:

  1. poderia ter algum lucro com um filme lançado 2 anos atrasado
  2. a maioria dos fãs de terror em geral e principalmente do filme original (1978, veja bem) são menores de 18 anos
  3. os fãs de terror, que são menores de 18 anos e preferiram esperar 2 anos ao invés de simplesmente baixar o filme pela internet, iriam gostar de um filme pela metade

resolveu que seria uma boa idéia cortar 26 minutos do filme, “excluindo partes violentas”, para chegar à classificação de 14 anos. E, claro, não faltou a cereja no topo desse bolo recheado de boas decisões de marketing: a Playarte já anunciou o lançamento do DVD com CENAS NÃO EXIBIDAS NO CINEMA!, em breve na loja mais perto de você.

Way to go, Playarte. Rob Zombie pode ter conseguido contrariar tudo que fazia Halloween se destacar entre os outros slashers, mas vocês conseguiram tirar do filme tudo que tinha sobrado: o sangue, o sentido e, claro, os peitinhos.

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6 pensamentos sobre “peraí, mas e os peitinhos?

  1. todos os meus textos são desse tamanho joão, vai “pro salão depilar, é mais fácil HAUAHAUAHAUAHAUA” – tresflaibe.

  2. eles tiraram tudo que de bom que pode ter em um filme (qualquer filme):
    – Sangue
    – Violência
    – Sexo
    – Drogas

    é por isso que eu gosto do Tarantino motherfucker

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