#UDRday

É nesse ritmo que começo o post maravilhoso sobre UDR. Assim como comecei este post, caso não ache graça de humor negro vá ver Ursinhos Carinhosos ou algo assim.

Estupre um cabrito, é muito engraçado
Depois ateie fogo num cadáver desmembrado
Vou te bater com um prato de alface
Cagar na sua boca e esporrar na sua face
Pegue uma velha, deixe ela pelada
Ponha fogo no cabelo e apague na paulada
Funkeiro sangue bom é funkeiro sangue-frio
Estrupa mãe, estrupa pai e também estrupa filho

(UDR – “Bonde da Mutilação”)

Pra quem não acompanha o Twitter, hoje temos nos Trendind Topics (Algo como tópicos principais) o #UDRday. Como um grande fã do melhor grupo de Funk do Brasil não podia deixar passar barato. Como só fui em UM show deles antes do fim do grupo, não tenho carga o suficiente para transcrever tudo que a UDR de fato é, com isso vou postar um texto retirado deste site, que demonstra de fato toda a grandiosidade de Aquaplay, Barney e Carvão.

Por Thais Carrança

As paredes pretas grudam quando se encosta nelas, a cerveja é Crystal, quente, servida em copos plásticos de 300 ml à proporção de quatro partes de espuma pra uma de líquido, que se pega após longa fila e bebe-se no tempo de enfrentar a fila de novo, num motocontínuo de alcoolismo pé-de-chinelo (ou você realmente acreditou que por R$ 15 para mulher e R$ 18 pra homem, numa festa chamada FUCK MACHINE, você ia ter um Open Bar digno?).


Estamos esperando o show da U.D.R, no andar subterrâneo de um puteiro desativado, próximo à Praça Roosevelt, perto daquele outro puteiro com uma decoração externa medieval excelente – o toque de mestre é o caldeirão de óleo fervente paralisado no ar no momento em que é entornado. Festa no puteiro, grande coisa, hoje em dia qualquer batizado de criança no baixo Augusta é em puteiro, nada demais.

No andar térreo, tem um bar pago às moscas, espelhos nas paredes, postes de dança nas bancadas, bandas horrendas de New Metal tocando e um público majoritariamente masculino e feio pra caralho, composto de metaleiros, um ou outro gótico e carecas. Sempre tem careca nazi em show da U.D.R. Na vinda anterior deles a São Paulo, quando tocaram no Inferno, cantaram uma música do disco novo, Bolinando Straños, chamada “Todos os nossos fãs são gays” (numa óbvia citação de Anal Cunt): “Você tem todos nossos discos/ Você é gay/ Você tem todas as camisas/ Você é gay/ Você é gay, você é gay/ Todos os fãs da UDR são gays/ (…)/ Não entende a piada/ E ainda dá risada/ Pois é, meu camarada/ Você é gay”. A platéia esvaziou na hora.

O público tinha ido lá pra saudar o satanismo (“Corta os pulsos, desenha o pentagrama/ Acende as velas pretas porque Satanás te ama/ Pode ser Satã, Belzebu ou Ferrabrás/ O que importa é o demônio, seu nome tanto faz”), ofender Jesus (“Jesus era alegre, um cara cheio de luz/
O sonho dessa bicha era poder sentar na cruz”), Maria (“Mãe de Jesus, eu tirei o seu cabaço/
Com um martelo de pedreiro preso num cabo de aço”), zoar deficientes (“Cintura pra baixo, tudo paralisado/ UDR 666, esse é o bonde do aleijado/ Quando vejo um aleijado, não consigo sentir dó/ Roubo logo sua carteira pra poder comprar meu pó”), cantar sobre parafilias (“Bonde louco do bukkake, porra dentro do nariz/ Hora do suco de pica é a hora mais feliz/ (…)/ Essa é a dança do bukkake, pegajosa e ofensiva/ Seus girinos do amor vão nadar na minha saliva”) e ter orgasmos múltiplos com o “Bonde da Orgia de Travecos” (“Sem orgia de traveco fico triste e deprimido/ com orgia de traveco viro soropositivo./ Vou fazer um fist fuck entao traz a vaselina/ Também traz um meião pra gente cheirar benzina”). Perceber que estavam rindo de você e não com você estava fora dos planos (“MC Carvão, super gigolô U.D.R., estrategicamente localizado entre um monte de mulheres diz: Você é burro”).

U.D.R. a essa altura do campeonato – show no Inferno: 16 de fevereiro de 2008, show na Ocean: 14 de junho de 2008, fim da banda: 1º de setembro de 2008 (mal aê, contei o fim da história) – era MC Carvão e Professor Aquaplay, fazendo ROCK AND ROLL ANTI CÓSMICO DA MORTE, ainda que seus detratores insistam em chamar o som de “funk satânico”. MC Carvão, o Porquinho, ou Thiago Machado, é formado em Relações Públicas, geek de computador e tem sempre uma meia dúzia de projetos paralelos em comunicação e música. Professor Aquaplay (ex-MC Abutre), o Screw, ou Rafael Mordente, é peludo, graduado em Jornalismo e tem tatuagens nerds adoráveis de tags HTML. Ambos são de Belo Horizonte.

No princípio, era Screw, que gerou o “Bonde da Depressão”, sob a dupla alcunha de MC Dor e MC Sofrimento. Screw converteu-se em MC Abutre, e MC Abutre e MC Carniça geraram a “Dança do Pentagrama Invertido” e o “Bonde da Mutilação”. Juntou-se a eles MS Barney e do trio fez-se a primeira versão de “Bonde de Jesus”. Tudo isso aconteceu de 2000 a 2002.

“MC Abutre e MC Carniça foram convidados para um show de estréia de um curta-metragem cuja trilha sonora era Dança do Pentagrama Invertido. A partir daí, outra apresentação foi agendada. Dessa vez, tratava-se de um show completo. Neste momento é marcado o ingresso oficial de MC Carvão na jornada. Com ele, surgiu a criação de nosso primeiro hit feito em grupo: Vômito Podraço. Além disso, tivemos aquilo que pode se chamar de “primeiro show”.” Estamos em 2003, quem narra é o Professor Aquaplay na biografia da banda, publicada no blog oficial – texto editado para fins dessa matéria.

“MC Carniça decidiu trilhar sua própria vida, existindo num mundo onde as conspirações descem pelo ralo. Éramos três, novamente. Professor Aquaplay, MC Carvão e MS Barney. Ao trio remanescente, foi dado o nome de U.D.R.”, conta. A primeira demo seria finalizada naquele ano, como o nome de Seringas Compartilhadas Vol.2 – Concertos Para Fagote Solo, em Si Bemol. Além das músicas já citadas, o disco trouxe as inéditas “Bonde do Amor Incondicional”, “Bonde da Orgia de Travecos”, “O Evangelho Segundo Serguei” e “Bonde do Aleijado”. A turnê O Amor Move Montanhas teve como souvenir uma camiseta que hoje é artigo raro, e que, nas palavras de alguém muito fino da internet, “mostrava de forma sutil a silhueta de um homem defecando na boca de uma mulher”.

Em 2005, MS Barney deixaria a banda (“O MS Barney saiu da nossa banda/ Agora dá a bunda num terreiro de quimbanda”).“Eu e Carvão conseguimos tocar o bonde pra frente e, para minha surpresa, estávamos em uma banda que agora buscava – e conseguia – resultados. Nunca havia me acontecido antes. Saiu WARderley [2006], saiu O Shape do Punk do Cão [2007], saiu Bolinando Straños [2008]”. Apesar do tipo de humor pouco afeito às FMs e aos lares de família, a banda conseguiu visibilidade, através da disseminação viral de suas músicas pela internet. A dupla conquistou um séquito de fãs fiéis, fazendo shows Brasil afora, com platéias cantando em coro de ponta a ponta.

No começo de 2008, para o lançamento do último ep, os garotos U.D.R. “armam uma brincadeira para azucrinar os fãs e a cena musical tupiniquim. Fingem a saída do Carvão e armam um concurso para novos integrantes.” No suposto show de estréia dos novos integrantes, veio a “volta” triunfal, com a estréia de Bolinado Straños. Poucos meses depois, acontece o fim de verdade. Professor Aquaplay, cansado de orgias regadas a cocaína, da fama e das dezenas de travestis enlouquecidos a seus pés, pede penico em texto publicado no blog oficial da banda. “Eu gostava mais da UDR quando era underground”, declara.

Mas voltemos a junho de 2008, ao puteiro desativado, ao subsolo de paredes pretas grudentas, à Crystal quente em copos de plástico. Pergunto aos meus amigos o que eles lembram do show. A resposta é uma mistura de amnésia provocada por aditivos diversos (“Eu tava doidão, não lembro de nada, só lembro da brisa”) e impressões que confundem os três shows que assistiram ao longo de 2008 – eles juram que teve mais um no Inferno, depois do da Ocean, que eu não fui e que foi o último em São Paulo antes do fim da banda, mas não me lembro e não achei nenhuma menção a ele no site da banda ou via Google.

Eles se lembram dos caras parando o show toda hora pra falar bosta. De uns caras gigantes com cara de redneck dançando: “Os caras eras enormes, achei que iam bater em todo mundo, daí eles começaram a dançar como se não houvesse amanhã, que nem minhoca no chão, pulando com a bunda”. Eu me lembro de uma amiga groupiando o MC Carvão (“É isso menininha, não fica no meu pé/ Jesus pode te amar, mas só a UDR te quer/ Fogo do capeta, brasa na calcinha, deformo tua buceta e arrombo tua bundinha”). Do enfado tremendo com que eles introduziam o grande hit “Orgia de Travecos”, que sempre encerrava os shows: “Esse é aquele momento do show que a gente não aguenta mais, mas que vocês adoram” – seguido do delírio da platéia cantando a música inteira duas ou três vezes seguidas. Pergunto para os meus amigos sobre o show propriamente dito, as músicas, os caras. “Sei lá, durou mó tempo, eles tocaram todas as músicas e foi legal pra caralho”.

Estamos num bar em Pinheiros, eu tento inutilmente entrevistá-los enquanto uma televisão ligada draga a atenção de todos. Na novela das 8, uma gostosa que está tetraplégica (Aline Morais, em Viver a Vida) começa o processo de reabilitação, só de camiseta. Todos olham vidrados, torcendo para aparecer a calcinha. “Porra, pessoal, é a calcinha da mina da tv, desencana. E a mina tá tetraplégica ainda por cima, mó sujeira”, eu digo. Alguém responde: “Mó sujeira nada, e daí que ela tá tetraplégica, manda ela fechar as pernas então, ‘Aô, fecha as pernas, ô tetraplégica’”. Pra curtir a U.D.R. tem que andar com pau no cu.

Pega esse cacete mole que eu transformo num bambu
Pra curtir a UDR, tem que andar com pau no cu
Nóis te leva pr’uma gruta e desmaia com Dramin
Pra cobrir você de porra e te chamar de Curumim

Bebe o sêmen do Carvão, do Barney, do Aquaplay
Hidratando sua pele num grande bukkake gay
Vai na boca, vai no olho, festa da ejaculação
Se o gosto não agrada, tu tempera com limão

(UDR – “Dança do Bukkake”)

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3 pensamentos sobre “#UDRday

  1. hausuhah gostei
    viva o humor negro (eu disse negro??)
    NEGROOOOOOOOO , NEGROOOOOOOOO (é uma frase do filme bonitinha mais ordinaria pra quem não gosta de filme brasileiro assim como eu)

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